ATIVIDADE 1 – LET – LITERATURA BRASILEIRA – 53_2026

Fui na delegacia e falei com o tenente. Que homem amavel! Se eu soubesse que ele era tão amavel, eu teria ido na delegacia na primeira intimação. […] O tenente interessou-se pela educação dos meus filhos. Disse-me que a favela é um ambiente propenso, que as pessoas tem mais possibilidade de delinquir do que tornar-se util a patria e ao país. Pensei: se ele sabe disto, porque não faz um relatorio e envia para os politicos? O Senhor Janio Quadros, o Kubstchek, e o Dr. Adhemar de Barros? Agora falar para mim, que sou uma pobre lixeira. Não posso resolver nem as minhas dificuldades.

"O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora. Quem passa fome aprende a pensar no próximo, e nas crianças."

JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Francisco Alves, 1960.

A língua portuguesa falada no Brasil é um conjunto de variedades linguísticas tão diversas quanto o próprio povo brasileiro. Reduzir essa diversidade a uma única forma considerada 'certa' ou 'adequada' é desconsiderar a riqueza cultural do país e impor um padrão excludente, baseado em critérios elitistas e discriminatórios. A valorização da diversidade linguística é um passo essencial para a construção de uma sociedade mais justa e democrática, em que todas as formas de falar — e, portanto, todas as formas de ser — sejam respeitadas."

BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 55. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2020.

Carolina Maria de Jesus é uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX. Nascida em 1914, em Minas Gerais, mudou-se para a favela do Canindé, em São Paulo, e mesmo em meio a uma árdua rotina enquanto mãe solo e catadora de papel, Carolina encontrou tempo e inspiração para ler e escrever, vindo a se destacar no Brasil e internacionalmente a partir do lançamento de “Quarto de Despejo”. Saiba mais sobre a autora por meio do vídeo a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=6AvUP-IoYEo&ab_channel=TVBrasil

O estilo literário de Carolina Maria de Jesus é marcado por características muito próprias, que refletem sua formação cultural, suas vivências enquanto mulher negra e periférica, enquanto mãe e, principalmente, enquanto uma cidadã atenta aos problemas do país. Sua escrita é ao mesmo tempo simples e vigorosa, realista, mas também poética. Com pouca escolaridade, verificamos incorreções de escrita do ponto de vista gramatical, aspecto que a distancia em termos de estilo dos autores que formam o chamado cânone literário. Porém, conforme ressalta Marcos Bagno, a diversidade linguística faz parte da nossa identidade e precisamos defendê-la em prol de uma sociedade democrática, em que todos sejam ouvidos, o que inclui o universo literário, espaço que por muito tempo foi dominado pela elite cultural.

Pensando nisso, elabore um texto dissertativo-argumentativo, entre 15 a 30 linhas, sobre a importância da diversidade literária (ir além do cânone) e da diversidade linguística no ensino de literatura visando que nossos estudantes aprendam a valorizar as várias vozes sociais presentes na literatura e, também, se identifiquem com as obras e autores a serem estudados no ambiente escolar.

SUGESTÃO DE LEITURA: Para se aprofundar sobre o assunto antes de elaborar sua resposta, sugerimos a leitura do artigo “Literatura produzida por minorias: a urgência da representatividade no ensino”, de Isabella Tibiriçá, disponível no link a seguir: https://blog.institutosingularidades.edu.br/literatura-produzida-por-minorias-a-urgencia-da-representatividade-no-ensino/

Faculdade: Unicesumar