JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Francisco Alves, 1960.
A língua portuguesa falada no Brasil é um conjunto de variedades linguísticas tão diversas quanto o próprio povo brasileiro. Reduzir essa diversidade a uma única forma considerada 'certa' ou 'adequada' é desconsiderar a riqueza cultural do país e impor um padrão excludente, baseado em critérios elitistas e discriminatórios. A valorização da diversidade linguística é um passo essencial para a construção de uma sociedade mais justa e democrática, em que todas as formas de falar — e, portanto, todas as formas de ser — sejam respeitadas."
BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 55. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2020.
Carolina Maria de Jesus é uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX. Nascida em 1914, em Minas Gerais, mudou-se para a favela do Canindé, em São Paulo, e mesmo em meio a uma árdua rotina enquanto mãe solo e catadora de papel, Carolina encontrou tempo e inspiração para ler e escrever, vindo a se destacar no Brasil e internacionalmente a partir do lançamento de “Quarto de Despejo”. Saiba mais sobre a autora por meio do vídeo a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=6AvUP-IoYEo&ab_channel=TVBrasil
O estilo literário de Carolina Maria de Jesus é marcado por características muito próprias, que refletem sua formação cultural, suas vivências enquanto mulher negra e periférica, enquanto mãe e, principalmente, enquanto uma cidadã atenta aos problemas do país. Sua escrita é ao mesmo tempo simples e vigorosa, realista, mas também poética. Com pouca escolaridade, verificamos incorreções de escrita do ponto de vista gramatical, aspecto que a distancia em termos de estilo dos autores que formam o chamado cânone literário. Porém, conforme ressalta Marcos Bagno, a diversidade linguística faz parte da nossa identidade e precisamos defendê-la em prol de uma sociedade democrática, em que todos sejam ouvidos, o que inclui o universo literário, espaço que por muito tempo foi dominado pela elite cultural.
Pensando nisso, elabore um texto dissertativo-argumentativo, entre 15 a 30 linhas, sobre a importância da diversidade literária (ir além do cânone) e da diversidade linguística no ensino de literatura visando que nossos estudantes aprendam a valorizar as várias vozes sociais presentes na literatura e, também, se identifiquem com as obras e autores a serem estudados no ambiente escolar.
SUGESTÃO DE LEITURA: Para se aprofundar sobre o assunto antes de elaborar sua resposta, sugerimos a leitura do artigo “Literatura produzida por minorias: a urgência da representatividade no ensino”, de Isabella Tibiriçá, disponível no link a seguir: https://blog.institutosingularidades.edu.br/literatura-produzida-por-minorias-a-urgencia-da-representatividade-no-ensino/
Faculdade: Unicesumar
