MAPA – TEORIAS DA COMUNICAÇÃO – 53_2026

Neste MAPA, vamos falar sobre cultura. Venha comigo, prometo que o desafio vai ser legal.

No seu material, você estudou um pouco sobre um dos grandes pensadores da cultura do mundo: Edgar Morin.

Para Morin, os estudos das ciências humanas durante os anos de 1950 e 1960 falhavam em compreender a cultura do século XX, dado que estavam limitados ao estudo das obras da considerada “alta cultura”, tais como os clássicos da literatura e da música. Eles ignoravam o verdadeiro produto do imaginário da época: a indústria cultural. Assim, o autor volta aos mesmos mecanismos de estudo dessas obras para filmes e romances populares, a fim de analisar a estrutura do conteúdo para compreender a sociedade. A esse imaginário que buscava desvendar, Morin deu o nome de “espírito do tempo”, brincando com um conceito filosófico de Hegel que defendia que as ideias da cultura de massa, os valores e as formas de agir se refletiam nos produtos (França; Simões, 2016). Ao descrever a estrutura das obras massivas, Morin apontou às fórmulas internas dessas produções e aos elementos que se repetiam em todas, mesmo que com poucas variações. Esses clichês fornecem uma pista para a visão das populações da época, segundo o autor, mas não são limitados aos países capitalistas. Na verdade, a construção da cultura de massas está mais vinculada ao contexto moderno, que deu origem ao capitalismo. Contudo também se liga aos estados de inspiração comunista, em que as práticas de produção artísticas são definidas por lógicas externas àquelas do próprio artista. Assim, para Morin, os clichês se repetiam em qualquer obra que fosse originada em qualquer contexto, comercial ou ideológico. Segundo Martino (2017), as principais características das obras listadas por Morin seriam o exagero, a trama simples, a exaltação de valores conservadores, o final feliz com a vitória do herói, o sentimentalismo, estruturas musicais simples e discursos previsíveis. Dois desses clichês merecem destaque. Por exemplo, muitas pessoas gostam apenas de assistir a filmes que têm final feliz. Já ouvi várias vezes alguém me dizer, decepcionado, que o filme até tinha sido bom, mas o final o estragou, porque o personagem morreu. Você também deve se lembrar do velho clichê das telenovelas, em que o capítulo final sempre contém, pelo menos, um casamento e a resolução do conflito amoroso que passamos meses acompanhando. Outro elemento que compõe essas narrativas é o apelo às sensações, às reações e às temáticas que envolvem o corpo, como o riso e o choro, mas principalmente o desejo sexual e a violência. Morin identifica, nos dramas da indústria de massa, a necessidade de incluir as imagens que explorem esse sensacionalismo.

Pensando nessas reflexões de Morin sobre a indústria cultural e como isso se conecta ao cinema, seu desafio é assistir a um filme da sua preferência. Pode ser um DVD que você tem aí guardado, no streaming ou até mesmo no cinema. Vale até a Sessão da Tarde! Se quiser analisar seu filme favorito, que você já sabe de cor o que acontece, melhor ainda, né?

Ao assistir a essa obra escolhida por você, tente identificar a presença ou ausência dos clichês apontados por Morin (ou outros que você identificar). Por exemplo: esse filme tem final feliz? Ele tem uma estrutura previsível? O mocinho ou mocinha “vencem” no fim? Existe muito sentimentalismo? Se o filme for mais complexo e sem tantos clichês, não tem problema; você pode descrever isso e quais recursos fizeram com que ele escapasse de se encaixar nessa estrutura narrativa. Você também pode apontar caminhos para que o filme fosse mais crítico, mais profundo.

Outros clichês que podemos pensar, para além dos indicados por Morin, são:

– Em um filme de terror, se uma pessoa é desaconselhada a fazer algo, ela faz exatamente isso.

– Em uma expedição, aqueles que têm medo de altura geralmente ficam bem, mas aqueles que estão confiantes demais caem.

– Onde quer que um detetive ou policial vá, ele sempre encontra uma vaga bem na frente do local que precisa ir.

– A corrida romântica pelo aeroporto.

– A mocinha que sofre e sofre.

Vale lembrar o seguinte: não é por conter algum clichê que o filme é ruim. E vou além: não é porque o filme é ruim que a gente não pode gostar! Assim, vá fundo na sua análise, sem medo de ser feliz!

Para fazer essa análise, você vai escrever um texto com no mínimo 25 e no máximo 35 linhas. Ele deve conter o nome do filme, diretor ou diretora, uma breve sinopse da obra e sua análise sobre pontos específicos do filme que são (ou não) clichês.

​- Assista ao vídeo de orientações para realização da atividade MAPA, na Sala do Café.

– Realize a sua atividade MAPA no Formulário Padrão, que está disponível para download no Material da Disciplina.

– Qualquer dúvida, entre em contato com a mediação.

Faculdade: Unicesumar