Cinema nas aulas de história: possibilidades e desafios

 

         No campo do ensino de História, a utilização do cinema ganhou força no início da década de 1990, com o aumento de pesquisas no âmbito acadêmico-universitário. Desse modo, “pesquisas e ensaios quanto às possibilidades metodológicas e fundamentos teóricos do trabalho educativo com obras cinematográficas no ensino de História tornaram-se recorrentes e se avolumaram a partir da década de 1990”. (SOUZA, 2014, p. 30).

         São vários os trabalhos sobre o ensino de história realizado com a utilização de filmes e que apresentam relevantes contribuições para essa temática. Um importante trabalho sobre o uso do cinema como recurso didático é a obra de Marcos Napolitano, Como usar o cinema na sala de aula, lançada em 2003. Nessa obra, Napolitano procura apresentar uma espécie de proposta de guia para a utilização do cinema na educação formal, abordando as várias áreas do ensino. O autor chama a atenção para a utilização de filmes não só pelo seu conteúdo ou temática, mas também por causa dos aspectos cinematográficos que os acompanham, procurando tirar deles algum aprendizado.

         A preocupação de Marcos Napolitano (2013), em que pese reconhecer o potencial das obras cinematográficas para o ensino, está relacionada com as atitudes e abordagens empregadas pelos professores e professoras ao utilizar filmes em suas aulas. Assim, ao se usar filmes na sala de aula, é preciso seguir uma série de procedimentos, pois é necessário que essa atividade esteja estruturada e organizada dentro de um planejamento maior. Ademais, o professor deve seguir alguns passos que vão desde a escolha do filme até a aplicação de atividades referentes ao mesmo. […]

         Filmes são responsáveis por grande parte das imagens históricas que as pessoas possuem na atualidade, seja por parte dos antigos que trazem aos olhos épocas passadas, ou de reconstituição histórica, os quais se tornam referências para o conhecimento dos feitos históricos retratados. E, dessa forma, é possível inferir que as ideias históricas juvenis têm grande vínculo com imagens históricas construídas e reforçadas pela cinematografia, assimiladas em salas de projeções, mas especialmente por meio da televisão e dos sites na internet. (SOUZA, 2014, p. 24)

         A concepção de que o filme pode ser empregado como uma fonte a ser analisada e explorada para a produção do conhecimento histórico é considerada por Souza como uma forma de abordagem que não reconhece – ou reconhece apenas de forma muito superficial – a ação dos alunos como sujeitos da construção de uma aprendizagem histórica. Assim, nos estudos sob essa perspectiva, “o foco frequentemente é estabelecido naquilo que se pode extrair da obra cinematográfica e na melhor forma do professor executar esse trabalho de forma didática, deixando em segundo plano o conhecimento de referência e os sujeitos da aprendizagem”. (SOUZA, 2014, p. 58).  A posição de Éder Cristiano de Souza em relação ao uso de filmes como fonte pedagógica, contudo, em alguns momentos, é de defesa dessa perspectiva. Considera, por exemplo, que a “aprendizagem histórica é mais complexa” nessa abordagem e que ocorre uma relação evidente “com a ideia de que o conhecimento histórico não é transparente, mas fruto de análises complexas e passíveis de interpretações variáveis”. (SOUZA, 2014, p. 58-59). Assim, essa forma de conceber o trabalho com filmes em sala de aula possui aspectos significativos.

           

Leia na íntegra em: <https://www.perspectivas2020.abeh.org.br/resources/anais/19/epeh2020/1605577002_ARQUIVO_ff5c8017080afa3d2862401ea75c3f12.pdf>. Acesso em 07 de Julho de 2025.

Faculdade: Unicesumar