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​O condomínio Residencial “Serra Verde”, composto por dois blocos de quatro pavimentos cada, foi entregue em 2014, em uma cidade do interior do Paraná. O conjunto foi construído sobre terreno argiloso, com nível d'água elevado, e as fundações foram executadas com estacas pré-moldadas. Nove anos após a entrega, moradores do Bloco B começaram a registrar uma série de ocorrências que, isoladamente, poderiam parecer triviais, mas que, analisadas em conjunto, apontam para um quadro de degradação multissistêmica da edificação.

No pavimento térreo do Bloco B, observam-se trincas em 45° nos cantos das janelas da fachada leste — padrão clássico associado a recalque diferencial de fundações. Na mesma fachada, manchas esbranquiçadas (eflorescências) e manchas marrom-avermelhadas se estendem por toda a altura das alvenarias externas, indicando infiltração ativa e provável corrosão das armaduras das vigas de baldrame. No subsolo, o piso de concreto apresenta afundamentos localizados de até 3 cm, com bordas fraturadas. Nos apartamentos dos andares superiores, relatos de mofo e descolamento de revestimentos cerâmicos completam o diagnóstico preliminar.

A síndica do condomínio contratou a engenheira civil Fernanda, especialista em patologia das edificações, para elaborar o laudo técnico e propor as intervenções necessárias. Ao realizar a anamnese e as vistorias (etapas previstas na NBR 16.747:2020), a engenheira identificou que o programa de manutenção preventiva, exigido pela NBR 5.674:2012, nunca havia sido implantado. O manual de uso, operação e manutenção (NBR 14.037:2011) foi entregue na ocasião da vistoria de entrega, mas permanecia lacrado. O histórico de manutenções estava em branco.

Os ensaios preliminares revelaram:

(a) cobrimento insuficiente das armaduras nos pilares do térreo (entre 1,5 e 2,0 cm, abaixo do mínimo de 3,0 cm para ambiente moderado, conforme ABNT NBR 6118:2014);

(b) trincas ativas nas vigas de baldrame com abertura média de 0,35 mm, superiores ao limite de 0,3 mm estabelecido pela norma para estruturas de concreto armado;

(c) infiltração por capilaridade nas alvenarias, com ascensão visível até 80 cm acima do nível do piso. A engenheira concluiu que a ausência de manutenção preventiva antecipou em pelo menos cinco anos a necessidade de intervenção corretiva, multiplicando substancialmente os custos de reparo — fenômeno descrito na literatura técnica como a progressão geométrica do custo de intervenção ao longo da vida útil da edificação.

Diante desse cenário, cabe a você, estudante de Engenharia Civil, interpretar tecnicamente as manifestações patológicas identificadas, analisar suas causas e consequências e propor, de forma fundamentada, as intervenções e o programa de gestão que deveriam ter sido adotados para preservar o desempenho da edificação ao longo de sua vida útil de projeto.

Com base na situação-problema apresentada, responda, de forma dissertativa e fundamentada no livro da disciplina, aos itens a seguir. Todas as respostas devem estar redigidas em linguagem técnica e, quando pertinente, com indicação das normas técnicas aplicáveis.

Item A — Análise das manifestações patológicas das fundações e umidade.

As trincas em 45° identificadas nos cantos das janelas do Bloco B e as eflorescências com manchas marrom-avermelhadas nas alvenarias são manifestações patológicas com causas distintas, porém interligadas. Considerando os conceitos estudados sobre recalque diferencial de fundações e os mecanismos de umidade e suas consequências para os sistemas construtivos explique, de forma integrada:

(I) qual fenômeno de fundação origina o padrão de trincas em 45° e por que essa inclinação é característica desse tipo de recalque;

(II) como a infiltração e a ascensão por capilaridade contribuem para o surgimento das eflorescências;

(III) de que forma as trincas nas alvenarias potencializam o processo de degradação úmida da edificação, correlacionando as manifestações ao quadro geral de deterioração do Residencial Serra Verde.

Item B — Análise das consequências da corrosão das armaduras.

O laudo técnico de Fernanda identificou cobrimento insuficiente das armaduras nos pilares do térreo (1,5 a 2,0 cm) e trincas ativas nas vigas de baldrame com abertura de 0,35 mm. Com base nesses dados e nos conceitos de patologias de superestruturas e terapia de reparo, analise:

(I) qual o mecanismo

Faculdade: Unicesumar