No pavimento térreo do Bloco B, observam-se trincas em 45° nos cantos das janelas da fachada leste — padrão clássico associado a recalque diferencial de fundações. Na mesma fachada, manchas esbranquiçadas (eflorescências) e manchas marrom-avermelhadas se estendem por toda a altura das alvenarias externas, indicando infiltração ativa e provável corrosão das armaduras das vigas de baldrame. No subsolo, o piso de concreto apresenta afundamentos localizados de até 3 cm, com bordas fraturadas. Nos apartamentos dos andares superiores, relatos de mofo e descolamento de revestimentos cerâmicos completam o diagnóstico preliminar.

A síndica do condomínio contratou a engenheira civil Fernanda, especialista em patologia das edificações, para elaborar o laudo técnico e propor as intervenções necessárias. Ao realizar a anamnese e as vistorias (etapas previstas na NBR 16.747:2020), a engenheira identificou que o programa de manutenção preventiva, exigido pela NBR 5.674:2012, nunca havia sido implantado. O manual de uso, operação e manutenção (NBR 14.037:2011) foi entregue na ocasião da vistoria de entrega, mas permanecia lacrado. O histórico de manutenções estava em branco.

Os ensaios preliminares revelaram:

(a) cobrimento insuficiente das armaduras nos pilares do térreo (entre 1,5 e 2,0 cm, abaixo do mínimo de 3,0 cm para ambiente moderado, conforme ABNT NBR 6118:2014);

(b) trincas ativas nas vigas de baldrame com abertura média de 0,35 mm, superiores ao limite de 0,3 mm estabelecido pela norma para estruturas de concreto armado;

(c) infiltração por capilaridade nas alvenarias, com ascensão visível até 80 cm acima do nível do piso. A engenheira concluiu que a ausência de manutenção preventiva antecipou em pelo menos cinco anos a necessidade de intervenção corretiva, multiplicando substancialmente os custos de reparo — fenômeno descrito na literatura técnica como a progressão geométrica do custo de intervenção ao longo da vida útil da edificação.

Diante desse cenário, cabe a você, estudante de Engenharia Civil, interpretar tecnicamente as manifestações patológicas identificadas, analisar suas causas e consequências e propor, de forma fundamentada, as intervenções e o programa de gestão que deveriam ter sido adotados para preservar o desempenho da edificação ao longo de sua vida útil de projeto.

Com base na situação-problema apresentada, responda, de forma dissertativa e fundamentada no livro da disciplina, aos itens a seguir. Todas as respostas devem estar redigidas em linguagem técnica e, quando pertinente, com indicação das normas técnicas aplicáveis.

Item A — Análise das manifestações patológicas das fundações e umidade.

As trincas em 45° identificadas nos cantos das janelas do Bloco B e as eflorescências com manchas marrom-avermelhadas nas alvenarias são manifestações patológicas com causas distintas, porém interligadas. Considerando os conceitos estudados sobre recalque diferencial de fundações e os mecanismos de umidade e suas consequências para os sistemas construtivos explique, de forma integrada:

(I) qual fenômeno de fundação origina o padrão de trincas em 45° e por que essa inclinação é característica desse tipo de recalque;

(II) como a infiltração e a ascensão por capilaridade contribuem para o surgimento das eflorescências;

(III) de que forma as trincas nas alvenarias potencializam o processo de degradação úmida da edificação, correlacionando as manifestações ao quadro geral de deterioração do Residencial Serra Verde.

Item B — Análise das consequências da corrosão das armaduras.

O laudo técnico de Fernanda identificou cobrimento insuficiente das armaduras nos pilares do térreo (1,5 a 2,0 cm) e trincas ativas nas vigas de baldrame com abertura de 0,35 mm. Com base nesses dados e nos conceitos de patologias de superestruturas e terapia de reparo, analise:

(I) qual o mecanismo físico-químico que leva à corrosão da armadura quando o cobrimento é insuficiente ou quando há trincas com abertura acima do limite normativo;

(II) como a progressão dessa corrosão gera o estufamento e o desplacamento do concreto de cobrimento;

(III) quais são os impactos progressivos dessa manifestação sobre a segurança estrutural da edificação, considerando os estágios de deterioração descritos no material didático.

Item C — Tomada de decisão técnica: proposta de intervenção nos pilares.

A engenheira responsável pelo laudo técnico precisa definir a técnica de reparo e reforço mais adequada para os pilares do térreo do Bloco B, que apresentam armaduras corroídas com perda de seção transversal estimada em 12% e concreto de cobrimento desplacado. Considerando que a estrutura ainda apresenta capacidade resistente suficiente para ser recuperada (não é necessária demolição), porém demanda reforço estrutural definitivo, proponha e justifique tecnicamente:

(I) a sequência executiva de saneamento e recuperação do elemento estrutural danificado;

(ii) a técnica de reforço estrutural mais indicada para este caso, dentre as

Faculdade: Unicesumar