A aquisição da leitura e da escrita não é um processo isolado que se inicia apenas no Ensino Fundamental. Pelo contrário, ela é o ápice de um desenvolvimento que envolve funções neuropsicológicas complexas, muitas vezes chamadas de “pré-requisitos” ou “habilidades preditivas”. Segundo Jose e Coelho (2009), para que a criança aprenda a ler e escrever com fluidez, ela precisa ter desenvolvido habilidades como a orientação têmporo-espacial, a lateralidade e a psicomotricidade fina.
Quando esses pré-requisitos não são devidamente estimulados ou apresentam falhas em seu desenvolvimento, a criança pode apresentar dificuldades que, se não compreendidas pelo professor, podem ser erroneamente rotuladas como falta de interesse ou transtornos de aprendizagem.
Partindo dessas afirmações, vamos analisar o seguinte caso:
Um professor do 2º ano do ensino fundamental relata que João Alfredo, seu aluno, demonstra muita dificuldade em copiar do quadro. Ele frequentemente inverte letras (escreve o ‘b’ no lugar do ‘d’), não consegue respeitar as margens do caderno e demonstra um cansaço excessivo ao segurar o lápis. Além disso, percebeu que a criança apresenta dificuldades em atividades que envolvem o esquema corporal, como identificar direita e esquerda em si mesmo.
Fonte: JOSE, E. A.; COELHO, M. T. Problemas de aprendizagem. São Paulo: Editora Ática, 2009.
Faculdade: Unicesumar
