(c) infiltração por capilaridade nas alvenarias, com ascensão visível até 80 cm acima do nível do piso. A engenheira concluiu que a ausência de manutenção preventiva antecipou em pelo menos cinco anos a necessidade de intervenção corretiva, multiplicando substancialmente os custos de reparo — fenômeno descrito na literatura técnica como a progressão geométrica do custo de intervenção ao longo da vida útil da edificação.

Diante desse cenário, cabe a você, estudante de Engenharia Civil, interpretar tecnicamente as manifestações patológicas identificadas, analisar suas causas e consequências e propor, de forma fundamentada, as intervenções e o programa de gestão que deveriam ter sido adotados para preservar o desempenho da edificação ao longo de sua vida útil de projeto.

Com base na situação-problema apresentada, responda, de forma dissertativa e fundamentada no livro da disciplina, aos itens a seguir. Todas as respostas devem estar redigidas em linguagem técnica e, quando pertinente, com indicação das normas técnicas aplicáveis.

Item A — Análise das manifestações patológicas das fundações e umidade.

As trincas em 45° identificadas nos cantos das janelas do Bloco B e as eflorescências com manchas marrom-avermelhadas nas alvenarias são manifestações patológicas com causas distintas, porém interligadas. Considerando os conceitos estudados sobre recalque diferencial de fundações e os mecanismos de umidade e suas consequências para os sistemas construtivos explique, de forma integrada:

(I) qual fenômeno de fundação origina o padrão de trincas em 45° e por que essa inclinação é característica desse tipo de recalque;

(II) como a infiltração e a ascensão por capilaridade contribuem para o surgimento das eflorescências;

(III) de que forma as trincas nas alvenarias potencializam o processo de degradação úmida da edificação, correlacionando as manifestações ao quadro geral de deterioração do Residencial Serra Verde.

Item B — Análise das consequências da corrosão das armaduras.

O laudo técnico de Fernanda identificou cobrimento insuficiente das armaduras nos pilares do térreo (1,5 a 2,0 cm) e trincas ativas nas vigas de baldrame com abertura de 0,35 mm. Com base nesses dados e nos conceitos de patologias de superestruturas e terapia de reparo, analise:

(I) qual o mecanismo físico-químico que leva à corrosão da armadura quando o cobrimento é insuficiente ou quando há trincas com abertura acima do limite normativo;

(II) como a progressão dessa corrosão gera o estufamento e o desplacamento do concreto de cobrimento;

(III) quais são os impactos progressivos dessa manifestação sobre a segurança estrutural da edificação, considerando os estágios de deterioração descritos no material didático.

Item C — Tomada de decisão técnica: proposta de intervenção nos pilares.

A engenheira responsável pelo laudo técnico precisa definir a técnica de reparo e reforço mais adequada para os pilares do térreo do Bloco B, que apresentam armaduras corroídas com perda de seção transversal estimada em 12% e concreto de cobrimento desplacado. Considerando que a estrutura ainda apresenta capacidade resistente suficiente para ser recuperada (não é necessária demolição), porém demanda reforço estrutural definitivo, proponha e justifique tecnicamente:

(I) a sequência executiva de saneamento e recuperação do elemento estrutural danificado;

(ii) a técnica de reforço estrutural mais indicada para este caso, dentre as estudadas (encamisamento com concreto armado, perfis metálicos ou fibras de carbono), com justificativa da escolha; a necessidade ou não de elaboração de projeto estrutural de reforço com responsabilidade técnica registrada, fundamentando sua resposta nas normas pertinentes.

A engenheira Fernanda identificou que um dos pilares do térreo do Bloco B apresenta corrosão avançada, com perda de seção da armadura principal e necessidade de encamisamento com concreto armado. Para dimensionar o reforço, é necessário estimar o custo total da intervenção e verificar se ela se justifica economicamente em relação ao valor de reposição do elemento estrutural. Adicionalmente, a engenheira precisa estabelecer as diretrizes do programa de manutenção preventiva da edificação, com base na NBR 5.674:2012. Adote os dados a seguir para todos os cálculos:

(a) Custo de reparo do pilar na fase de projeto (C0) = R$ 2.800,00.

(b) A manifestação patológica foi identificada na fase de utilização da edificação, após 9 anos de uso, sendo esta a fase mais onerosa para intervenções, conforme a progressão descrita por Sitter (Lei dos Cincos).

(c) Custo unitário de manutenção preventiva do sistema estrutural: R$ 850,00/ano por pavimento.

(d) A edificação possui quatro pavimentos e vida útil de projeto de 50 anos (NBR 15.575:2021).

(e) A taxa de juros de referência para análise de viabilidade econômica da manutenção é de 8% a.a. (juros simples para fins didáticos).

Item A — Custo de Intervenção pela Lei dos Cincos (Sitter)

Com base no conceito da Lei dos

Faculdade: Unicesumar