Estudante, ao longo de sua formação, você compreendeu que o trabalho é a categoria fundante do ser social e que, no modo de produção capitalista, ele se organiza a partir da exploração da força de trabalho para a obtenção de lucro. As transformações recentes do capitalismo — a chamada reestruturação produtiva — alteraram profundamente as formas de contratar, organizar e remunerar o trabalho, produzindo novas e intensas expressões da questão social.

Observe um fenômeno que provavelmente faz parte do seu cotidiano: o trabalho mediado por aplicativos. Entregadores e motoristas conectados a plataformas digitais cumprem longas jornadas, sem vínculo empregatício, sem férias, sem décimo terceiro e sem proteção previdenciária, recebendo por tarefa e assumindo individualmente os riscos da atividade. O discurso da plataforma os apresenta como “empreendedores de si mesmos” e “parceiros livres”, mas, na prática, vivem a precarização, a insegurança e a ausência de direitos.

Imagine que, atuando como assistente social em um equipamento de política pública, você passe a atender, de forma recorrente, trabalhadores nessa condição: pessoas que adoeceram e não têm como se afastar, famílias sem renda estável, jovens que abandonaram outras ocupações atraídos pela promessa de “liberdade” e hoje enfrentam endividamento e exaustão. Esse cenário não é hipotético — é uma das faces mais visíveis da reestruturação produtiva no Brasil contemporâneo e chega cotidianamente às mãos de quem atua na defesa de direitos.

Diante dessa realidade, cabe uma reflexão central desta disciplina: qual o papel do Serviço Social, profissão inscrita na divisão sociotécnica do trabalho, frente às novas formas de exploração? E de que maneira o Projeto Ético-Político da profissão orienta a resposta do assistente social diante desses desafios?

Faculdade: Unicesumar