A formiga má

Já houve, entretanto, uma formiga má que não soube compreender a cigarra e com dureza a repeliu de sua porta.

Foi isso na Europa, em pleno inverno, quando a neve recobria o mundo com seu cruel manto de gelo. A cigarra, como de costume, havia cantado sem parar o estio inteiro e o inverno veio encontrá-la desprovida de tudo, sem casa onde abrigar-se nem folhinha que comesse.

Desesperada, bateu à porta da formiga e implorou – emprestado, notem! – uns miseráveis restos de comida. Pagaria com juros altos aquela comida de empréstimo, logo que o tempo o permitisse.

Mas a formiga era uma usurária sem entranhas. Além disso, invejosa. Como não soubesse cantar, tinha ódio à cigarra por vê-la querida de todos os seres.

– Que fazia você durante o bom tempo?

 – Eu… eu cantava!…

– Cantava? Pois dance agora, vagabunda! – e fechou-lhe a porta no nariz.

Resultado: a cigarra ali morreu entanguidinha; e quando voltou a primavera o mundo apresentava um aspecto mais triste. É que faltava na música do mundo o som estridente daquela cigarra, morta por causa da avareza da formiga. Mas se a usurária morresse, quem daria pela falta dela?

Monteiro Lobato

Fonte: https://cantinhopreferidodamah.blogspot.com/2011/08/cigarra-e-formiga-diferentes-versoes.html Acesso em 18 maio 2026.

​LOBATO, Monteiro. A cigarra e a formiga. In: LOBATO, Monteiro. Fábulas de Narizinho. São Paulo: Monteiro Lobato & Cia., 1921. Disponível em: Cantinho Preferido da Mah. Acesso em: 18 maio 2026.

 

Pressuponha  que você é o(a) docente  de uma turma de 7.º ano e  levou a fábula acima para trabalhar o conteúdo sobre intertextualidade. Para se preparar para essa aula, você vai produzir um roteiro pessoal. A partir disso, elabore um texto dissertativo-argumentativo com, no mínimo, 15 linhas e, no máximo, 30 linhas, em que:

  1. defina intertextualidade explícita e implícita;
  2. classifique a intertextualidade presente em “A formiga má”;
  3. justifique sua resposta com elementos do próprio texto.

Faculdade: Unicesumar