MAPA – ARQ – ATELIÊ DE DESIGN – 53_2026

 

Tema: Modernidade líquida e design expositivo: prototipando uma experiência museográfica de reflexão

Olá, estudante!

 

Vivemos em uma sociedade marcada pela velocidade, pelo consumo, pela instabilidade e pela sensação de que tudo pode ser substituído rapidamente. Objetos, relações, profissões, tecnologias, imagens, espaços e modos de vida parecem perder permanência diante de uma lógica em que o novo se impõe continuamente. Essa condição, discutida por Zygmunt Bauman a partir da noção de modernidade líquida, permite refletir sobre como o design, a arquitetura e os espaços expositivos podem provocar questionamentos sobre o mundo contemporâneo.

 

Nesta atividade MAPA, você será desafiado a desenvolver o protótipo de um artefato ou cenário expositivo para um museu, em formato de maquete física ou digital, que provoque uma reflexão crítica sobre a modernidade líquida. Para isso, deverá relacionar os textos apresentados, os conteúdos estudados na disciplina e os métodos de projeto aplicados ao design e à arquitetura.

 

A proposta deverá ser criativa, conceitual e instigante, mas também precisa ser compreensível, viável e bem fundamentada. O objetivo não é apenas criar uma maquete visualmente interessante, mas desenvolver uma experiência capaz de comunicar uma ideia, provocar reflexão e mobilizar o visitante.

 

TEXTO 1 – Modernidade líquida

 

Zygmunt Bauman é sociólogo por formação, mas sua obra mais contundente faz uma crítica filosófica profunda da modernidade. Ele cunhou o conceito de modernidade líquida para explicar como nada, hoje em dia, é feito para durar. Do amor à profissão, tudo é líquido, muda de forma muito rapidamente e sob pouca pressão. Dessa instabilidade permanente, nasce uma angústia do homem diante do futuro e do progresso – e isso explica o boom do consumo de antidepressivos, ansiolíticos e todo tipo de atividade ou entretenimento que ajude a afastar essa sensação. Bauman também se destacou ao descrever como, na segunda metade do século XX, as sociedades deixam de priorizar a produção e passam a priorizar o consumo – no que ele descreveu como a passagem da modernidade para a pós-modernidade.

 

Fonte: adaptado de: https://super.abril.com.br/ideias/nada-e-feito-para-durar-bauman/. Acesso em: 10 jul. 2026.

 

TEXTO 2 – Rompimento da Barragem

 

O rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em 25 de janeiro de 2019, matou 272 pessoas e deixou outras 11 desaparecidas, conforme dados de março de 2021. A tragédia é considerada um crime sem precedentes na história do Brasil contra os trabalhadores, os moradores de Brumadinho e o meio ambiente.

 

A área atingida pela lama está fora do perímetro urbano da sede do município, mas muito próxima às comunidades de Parque da Cachoeira, Córrego do Feijão, Pires e Cantagalo. Os estragos são imensuráveis e, até a presente data, os Bombeiros Militares do Estado de Minas Gerais trabalham na busca pelos desaparecidos.

 

A magnitude dessa tragédia causou um abalo tão grande que se torna difícil definir o termo “atingido”. O município entende que todos aqueles que vivenciaram e sofrem com as consequências da tragédia são atingidos de alguma forma.

 

No dia 4 de fevereiro de 2021, o Governo de Minas Gerais e a Vale S/A assinaram um acordo no qual a mineradora se compromete a pagar R$ 37 bilhões para reparação dos danos causados pela tragédia. Esse acordo não teve a participação dos Poderes Executivo e Legislativo municipais, nem de representantes da sociedade. O governo municipal busca, junto ao Governo do Estado, garantir que o município seja, de fato, contemplado com projetos capazes de promover a reparação e o desenvolvimento econômico, para que Brumadinho possa diversificar sua economia e não fique tão dependente da mineração.

 

Além das perdas humanas e ambientais, a tragédia-crime deixou um passivo moral, social e econômico sem precedentes.

 

O dia 25 de janeiro foi definido como feriado municipal em respeito às vítimas. No dia 25 de cada mês, ao meio-dia, a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem (AVABRUM) realiza um ato em memória das “Nossas Joias”, no marco da entrada da cidade.

 

Fonte: adaptado de: https://novo.brumadinho.mg.gov.br/portal/pagina/rompimento-da-barragem. Acesso em: 10 jul. 2026.

 

ATIVIDADE

 

Com base nos textos apresentados e nos conteúdos estudados na disciplina, desenvolva o protótipo de um artefato ou cenário expositivo para um museu que proponha uma reflexão crítica sobre a modernidade líquida.

 

Seu projeto deverá partir da seguinte questão norteadora:

 

Como o design pode transformar conceitos abstratos, como instabilidade, consumo, impermanência, descarte, memória e responsabilidade, em uma experiência visual, espacial e sensorial para o público de um museu?

 

A proposta poderá assumir a forma de:

 

Um cenário expositivo.

 

Uma instalação.

 

Um artefato.

 

Um objeto simbólico.

 

Um ambiente imersivo.

 

Um conjunto de elementos expositivos articulados.

O protótipo deve representar uma experiência que poderá ser instalada em um museu, centro cultural, exposição temporária ou espaço educativo e deve ser apresentado em maquete física ou digital. No caso da elaboração de maquete física, os materiais e a escala são de livre escolha.

 

ETAPAS DA ATIVIDADE

 

  1. Interpretação dos textos e definição do problema

 

Inicialmente, produza um texto de 10 a 15 linhas, explicando como os dois textos podem ser relacionados.

 

Em sua resposta, aborde:

 

A ideia de modernidade líquida.

 

A sensação de instabilidade e impermanência.

 

A passagem de uma sociedade centrada na produção para uma sociedade centrada no consumo.

 

A relação entre consumo, descarte, memória e responsabilidade.

 

​ETAPAS DA ATIVIDADE

  1. Definição do conceito da exposição

 

Crie um conceito para o seu protótipo museográfico. Esse conceito deverá sintetizar a mensagem principal da proposta.

 

Você deverá apresentar:

 

Título da instalação ou do artefato.

 

Frase-conceito.

 

Objetivo da experiência.

 

Principal sensação que deseja provocar no visitante.

 

Mensagem central do projeto.

  1. Persona do visitante

 

Crie uma persona que represente o público visitante da exposição.

 

A persona deve conter:

 

Nome fictício.

 

Idade.

 

Ocupação.

 

Relação com museus ou exposições.

 

Conhecimentos prévios sobre o tema.

 

Comportamento esperado durante a visita.

 

O tipo de reflexão que essa pessoa poderá desenvolver ao interagir com o protótipo.

A persona ajudará a orientar as decisões de linguagem visual, nível de complexidade, acessibilidade, interação e comunicação da proposta.

 

  1. Moodboard conceitual

 

Desenvolva um moodboard que traduza visualmente o conceito do projeto.

 

O moodboard poderá conter:

 

Referências de instalações artísticas.

 

Imagens de museus, cenografias, vitrines ou exposições.

 

Texturas relacionadas à lama, pedra, metal, vidro, água, resíduos, concreto, tecido ou terra.

 

Cores que expressem instabilidade, impacto, memória, apagamento ou reconstrução.

 

Palavras-chave.

 

Referências de iluminação.

 

Materiais e sensações desejadas.

O moodboard deverá demonstrar coerência com os textos-base e com a proposta da instalação.

 

  1. Desenvolvimento do protótipo: artefato ou cenário expositivo

 

Desenvolva uma maquete física ou digital do protótipo.

 

A proposta deverá representar um artefato ou cenário expositivo a ser instalado em um museu. O projeto deve ter escala reduzida, mas precisa comunicar claramente a experiência imaginada.

 

A maquete/protótipo deverá apresentar:

 

Composição geral da instalação.

 

Relação entre visitante e objeto/cenário.

 

Materiais simulados.

 

Cores.

 

Iluminação.

 

Percurso ou forma de interação.

 

Elementos gráficos, textuais ou simbólicos.

 

Indicação de escala aproximada.

 

Legenda dos principais elementos.

A proposta pode utilizar materiais simples, como papelão, papel Paraná, acetato, argila, tecido, areia, arame, plástico reaproveitado, tinta, cola, impressão em papel, peças recicladas ou materiais digitais. Também é permitido produzir a maquete em softwares de modelagem, colagem digital ou desenho tridimensional.

 

  1. Memorial descritivo e justificativa projetual

 

Produza um memorial descritivo de 20 a 30 linhas, explicando o projeto.

 

O texto deve apresentar:

 

O que é o protótipo.

 

Como ele se relaciona com a modernidade líquida.

 

Quais elementos visuais, espaciais ou materiais foram escolhidos.

 

Como o visitante interage com a instalação.

 

Quais sensações ou reflexões o projeto pretende provocar.

 

Porque a proposta poderia ser exposta em um museu.

 

Como o design foi utilizado para transformar uma ideia abstrata em uma experiência concreta.

  1. Avaliação crítica da proposta

 

Retome o processo de projeto estudado na disciplina e avalie sua própria solução.

 

Responda em um texto de 8 a 12 linhas.

 

Essa etapa corresponde à fase de avaliação do projeto, permitindo revisar criticamente a solução desenvolvida.

 

FORMATO DE ENTREGA

 

A atividade deverá ser entregue em formato PDF, contendo textos, imagens e registros do protótipo.

 

Estrutura mínima obrigatória

 

O arquivo final deverá conter:

 

Capa com o nome da atividade, nome do estudante, disciplina, curso e data.

 

Interpretação dos textos-base.

 

Título e conceito da instalação.

 

Persona do visitante.

 

Moodboard conceitual.

 

Registros da maquete/protótipo.

 

Desenho, croqui, esquema ou planta simplificada da instalação.

 

Memorial descritivo e justificativa projetual.

 

Avaliação crítica da proposta.

 

Referências.

 

Registros obrigatórios do protótipo.

O estudante deverá inserir de três a seis imagens da maquete, do modelo digital ou de desenhos, contemplando:

 

Vista geral.

 

Vista aproximada dos detalhes.

 

Vista superior ou esquema de implantação.

 

Imagem que demonstre a relação do visitante com a instalação.

 

Especificações.

 

Formato de entrega: PDF.

 

Mínimo: oito páginas/slides.

 

Máximo: 15 páginas/slides.

 

A atividade deverá ser desenvolvida individualmente.

 

Imagens externas devem ter a fonte indicada.

 

Trabalhos com plágio serão zerados.

 

A maquete pode ser física ou digital.

 

O protótipo não precisa ser executado em escala real. 

Faculdade: Unicesumar