MAPA – PSIORG – FUNDAMENTOS DA PSICOLOGIA SOCIAL – 53_2026
Tema: Psicologia Social e Modernidade
A modernidade consolidou-se sob a promessa de que a razão, a ciência e a técnica conduziriam a humanidade ao progresso pleno e à felicidade. Amparada na crença iluminista de que o conhecimento racional seria capaz de ordenar o mundo e emancipar o ser humano das amarras da tradição, essa etapa histórica, que Bauman (2001) designa como modernidade sólida, caracterizou-se pela busca de estruturas duradouras, instituições estáveis e projetos de longo prazo, capazes de conferir previsibilidade e sentido à existência. Contudo o século XX, marcado pelas Grandes Guerras e pelo uso da tecnologia para a destruição em massa, revelou a face bárbara dessa racionalidade instrumental, mergulhando o sujeito em uma profunda crise de sentido. A mesma razão que prometia libertação mostrou-se capaz de servir à barbárie, evidenciando que o avanço técnico não assegura, por si só, progresso moral ou humano e abrindo caminho para o desencantamento que marca a experiência contemporânea. Na contemporaneidade, essa angústia é exacerbada pela "saturação social" e pela "modernidade líquida", conceito com o qual Bauman (2001) descreve um tempo em que as estruturas sociais perderam sua solidez e passaram a se dissolver antes mesmo de se consolidarem. Segundo o autor, vivemos sob o signo da fluidez: aquilo que antes se pretendia permanente, os vínculos, as identidades e os compromissos, converte-se em algo provisório, flexível e descartável (Bauman, 2001). Assim, a multiplicidade de estímulos digitais e a efemeridade dos vínculos transformam a subjetividade em um mosaico fragmentado, destituído de referenciais sólidos e absolutos. Nesse cenário, também as relações afetivas passam a ser regidas pela lógica do consumo. Bauman (2004) observa que os laços humanos se tornam cada vez mais frágeis, pois o sujeito, receoso do compromisso e da durabilidade, prefere relacionamentos que possam ser facilmente firmados e, com a mesma facilidade, desfeitos. O outro deixa de ser alguém a ser conhecido em sua complexidade e passa a ser consumido como fonte de satisfação imediata, o que aprofunda a sensação de solidão e de vazio existencial que atravessa o sujeito da modernidade líquida. Nesse contexto, a modernidade consolidou-se sob a promessa de que a razão, a ciência e a técnica conduziriam a humanidade ao progresso pleno e à felicidade. Contudo o século XX, marcado pelas Grandes Guerras e pelo uso da tecnologia para a destruição em massa, revelou a face bárbara dessa racionalidade instrumental, mergulhando o sujeito em uma profunda crise de sentido. Na contemporaneidade, essa angústia é exacerbada pela "saturação social" e pela "modernidade líquida", em que a multiplicidade de estímulos digitais e a efemeridade dos vínculos transformam a subjetividade em um mosaico fragmentado, destituído de referenciais sólidos e absolutos. A maneira de conhecer o outro, prezando pelo contato face a face, também vai se perdendo nesse “novo mundo”. Com o advento das mídias sociais, a velocidade e a superficialidade acabam se tornando a identidade dos vínculos, principalmente amorosos. Com o enfoque no experimento imediato da satisfação, não há abertura para a gênese do mistério, das incertezas e fragilidades reveladas na relação com o outro (Fonseca et al., 2025).
BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Tradução de Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
BAUMAN, Z. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.
FONSECA, E. V. de M. et al. As faces do vazio existencial na modernidade líquida: uma aproximação conceitual. Revista FT, v. 28, 2024. Disponível em: https://revistaft.com.br/as-faces-do-vazio-existencial-na-modernidade-liquida-uma-aproximacao-conceitual/. Acesso em: 5 ago. 2026.
Problematização: considerando a transição da promessa de progresso para a realidade da angústia contemporânea, faça o que se pede:
Questão 1. Explique de que maneira a fragmentação da identidade, o "Eu saturado" e a lógica do consumo interferem na capacidade do sujeito de estabelecer vínculos afetivos duradouros e de construir uma narrativa biográfica coerente.
Questão 2. Descreva uma situação de sua vivência pessoal ou cotidiana que exemplifique os conceitos de "Eu saturado" ou "vínculos líquidos", fundamentando sua análise nas referências teóricas do capítulo.
Questão 3. Proponha uma ação concreta, possível de realizar em sua vivência pessoal ou cotidiana, que contribua para superar o "Eu saturado" ou os "vínculos líquidos", isto é, uma prática voltada à construção de relacionamentos sólidos e duradouros, nos quais as pessoas possam enfrentar dificuldades juntas. Justifique por que essa ação favorece vínculos mais consistentes.
Orientações importantes:
– Faça a leitura do livro da disciplina e utilize outras fontes de pesquisa sobre o assunto.
– Realize a sua Atividade MAPA no formulário-padrão que está
Faculdade: Unicesumar
