O estudo do Panorama Bíblico do Antigo Testamento representa um dos pilares fundamentais da formação teológica e exegética. Compreender os livros que compõem o cânon veterotestamentário exige muito mais do que memorizar títulos e autores — exige situar cada texto dentro do longo e complexo processo histórico do povo de Israel. A exegese responsável pressupõe que o intérprete saiba a que período histórico pertence o texto, quais crises políticas, religiosas e sociais o motivaram e de que tradição literária e teológica ele emerge. Sem esse horizonte, o risco de anacronismo é inevitável: lê-se um texto exílico como se fosse pré-exílico, atribui-se unidade a obras compostas em séculos distintos, ou ignora-se a pluralidade de vozes que convivem dentro de um mesmo livro.
A divisão dos textos veterotestamentários em períodos históricos — pré-exílico, exílico, pós-exílico e helenístico — não é um recurso arbitrário da crítica moderna, mas reflete a própria lógica de produção das Escrituras. O exílio babilônico (587-538 a.C.) representa o grande divisor de águas: antes dele, textos produzidos sob a monarquia davídica e as reformas de Josias; durante ele, a releitura dolorosa da história e a reelaboração das grandes tradições; depois dele, a reconstrução identitária do judaísmo em torno da Torah, do Templo e da esperança escatológica. Conhecer esse arco histórico é condição indispensável para evitar erros cronológicos graves, como tratar o Deuteronômio como mosaico em sentido histórico, ou ler Daniel como profecia do século VI quando sua composição data do período macabaico, no século II a.C.
Para a realização desta atividade, recomenda-se a consulta a bíblias de estudo com notas introdutórias e críticas, especialmente a Bíblia de Jerusalém, a Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB) e a Bíblia do Peregrino, que oferecem introduções por livro com informações sobre autoria, datação e contexto histórico. Como introdução específica ao Antigo Testamento em língua portuguesa, é indispensável a obra de Ildo Bohn Gass, “Introdução à Bíblia”, publicada pelo CEBI, que apresenta os textos a partir de sua inserção histórica e social.
Para aprofundamento crítico, recomendam-se as clássicas introduções ao Antigo Testamento de Georg Fohrer e Ernst Sellin. No campo da teologia do AT, com essa visão mais organizada dos livros, está o livro “Palavra e Mensagem do Antigo Testamento”, de J. Shreiner.
Nessa atividade, você deverá completar as colunas das 4 tabelas que compreendem os seguintes temas organizadores dos livros do AT:
Tabela 1 — Período Pré-Exílico (séc. X-VII a.C.) Textos das tradições javista, elohista, profetas clássicos, núcleo do Deuteronômio.
Tabela 2 — Período Exílico (séc. VI a.C.) Deutero-Isaías, Ezequiel, tradição sacerdotal, obra deuteronomista final, Lamentações.
Tabela 3 — Período Pós-Exílico (séc. V-IV a.C.) Trito-Isaías, Esdras-Neemias, Crônicas, Rute, Jonas, Joel, Malaquias, redação final do Pentateuco.
Tabela 4 — Período Helenístico (séc. III-I a.C.) Qohélet, Daniel, Sabedoria, Sirácida, 1-2 Macabeus, Tobias, Judite, Baruque, Ester grego.
Para esse levantamento considerando dados críticos contemporâneos, recomendo pesquisa nas seguintes bíblias: TEB, Jerusalém, do Peregrino, na Introdução à Bíblia do Ildo Bohn Gass. Drive com materiais de apoio: https://drive.google.com/drive/folders/1wVOi_cEL4reG4ISEehxqdKo778vomOzx?usp=drive_link
Fontes: TEB · Bíblia de Jerusalém · Bíblia do Peregrino · Introdução à Bíblia (Gass).
BÍBLIA do Peregrino. Tradução e notas de Luís Alonso Schökel. Tradução portuguesa de Ivo Storniolo, José Bortolini e José Raimundo Vidigal. 3. ed. São Paulo: Paulus, 2011. 3056 p.
GASS, I. Introdução à Bíblia: como a Bíblia foi escrita. São Leopoldo: CEBI; São Paulo: Paulus, 2003.
Faculdade: Unicesumar
